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IF-Sophia – Entrevista com Tiago Soares.

segunda-feira, 18 de março de 2013 - 2:42 PM

O Projeto IF-Sophia do IFPR Câmpus Assis Chateaubriand apresenta neste espaço a entrevista com o Professor Tiago Soares orador do evento para o próximo dia 23 com tema – Que é mito?.

Comunica-se também que está disponível para download o slide – Que é Filosofia? – tema do encontro anterior. (09/03/2013).

Segue entrevista:

a) Há quantos anos estuda e leciona Filosofia? Por qual motivo ingressou nessa área?

Estudo Filosofia desde 2003, período em que iniciei curso aberto em Filosofia Instituto Filosófico Rainha dos Apóstolos de Umuarama. Assim que conclui o curso aberto reiniciei o mesmo curso através de módulos presenciais na Faculdade Padre João Bagozzi de Curitiba. Meu ingresso nessa área se deu por conta da obrigatoriedade da Filosofia na Instituição Católica a qual eu pertencia, tendo em vista que o período que cursei educação básica, a disciplina não compunha a matriz curricular no Estado do Paraná.

b) Como descreveria a experiência pedagógica no magistério filosófico?

A experiência pedagógica no magistério filosófico é gratificante. Trabalho com a educação básica desde 2007 e na rede pública desde 2008. Apesar das condições de trabalho dos professores serem bastante precárias, tenho uma postura um tanto quanto ideológica no que tange e educação básica da rede pública, pois muitos a descredenciam, ou desvalorizam-na. Vejo muito que fazer e muito disciplinamento com os discentes da educação básica e, apesar de saber Foucault de modo bastante anti-filosófico, não vejo como pensar em jovens cidadãos responsáveis sem estabelecer um diálogo franco e aberto com ele. Infelizmente, para que nossos adolescentes e jovens nos ouçam, e conversem com a gente, o diálogo filosófico acaba ficando pra segundo plano, pois primeiramente assumimos a função de disciplinadores.

c) Como vê a questão do ensino de Filosofia no Brasil atualmente?

Penso que o problema não está no ensino de Filosofia, mas na conjuntura educacional com um todo. Não se tem professores com formação suficiente em sala, e não é professor de Filosofia. Todos nós educadores em todos os níveis de ensino padecemos com o descaso do poder público naquilo que tange as políticas educacionais. Todos os professores tem carga horária excessiva, não conseguimos estudar nem com 20% ou 33% de hora atividade, ficamos imerso na burocratização do Estado burguês contemporâneo. Tudo precisa estar muito bem documentado, caso contrário, a situação se volta contra o professor. Não temos professores de Filosofia habilitados que ministrem as aulas, mas também não temos professores de Física, de Sociologia, de Matemática. Dos meus alunos desde 2007 são menos de 10% deles que acabam manifestando o desejo de ingressar na carreira docente. As políticas públicas nos tratam como babás diplomados. Só se percebe a importância da escola e do professor quando paralisamos ou aderimos a uma greve. Isso por que a sociedade se preocupa com as melhorias da educação? Receio que não… acredito que a principal preocupação da sociedade é não ter onde encaminhar suas crianças e adolescentes durante a jornada de trabalho dos pais.

d) Qual sua visão a respeito de “O que é mito?” em relação ao conhecimento filosófico e científico contemporâneo?

O mito assume uma perspectiva de verdade. Muitas instituições se valem dele pra proferir dogmas e propagar verdades. Após o positivismo do século XIX a ciência avançou muito, melhorou a qualidade de vida de muitos seres humanos. Todavia, a ciência acabou se tornando também propagadora de verdades. Infelizmente, um dos meios que nós, docentes, temos de nos refugiar quando um bom aluno nos põe contra a parede e refutá-lo sem nenhum argumento sobre a veracidade científica do objeto ou fato estudado.

e) Quais são os desafios do ensino de Filosofia no estado do Paraná?

O Paraná já avançou alguns passos a mais do que muitos outros Estados brasileiros. Entretanto, há muito que se fazer. As instituições de Ensino precisam começar a pensar em cursos de licenciatura nessa área, mas principalmente com o intento de sanar a falta de profissionais onde não os tem. A região noroeste tem um único curso de Filosofia que funciona no período vespertino. As cidades polos da região noroeste como Umuarama e Paranavaí, Campo Mourão, dentre outras não oferece nem metade das licenciaturas que são necessárias na Educação básica. O sistema educacional presenteia as instituições de ensino privado, mas o que vemos são esses cursos todos declinarem até sua falência completa, pois como pagar caro em um curso onde o retorno é mínimo?

f) O que se poderia dizer aos estudantes de Filosofia e participantes do IF – Sophia – Assis Chateaubriand sobre a participação deles no evento?

O IF-SOPHIA é um projeto de pesquisa e extensão que tem a função de aproximar o aspirante à filosofia a se achegar, estabelecer um vínculo afetuoso com essa área do conhecimento, como se diz por aí “ir pegando intimidade”, até o momento de sentar-se à mesa e dialogar e refletir juntos, apesar de todas as dificuldades e diferenças.

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